Uso de IA nos estudos: Aliada ou inimiga durante o Ensino Médio?
- Gabriela Chaim
- 21 de jun.
- 3 min de leitura
Atualizado: 23 de jun.
Professores do CONSA analisam como as novas tecnologias podem impulsionar o aprendizado; ou se tornar uma armadilha para a autonomia dos estudantes.
Por Gabriela Chaim
A inteligência artificial (IA) está cada vez mais presente no cotidiano dos estudantes. Ferramentas capazes de responder perguntas, resumir textos, criar atividades e auxiliar em pesquisas têm transformado a forma como o conhecimento é acessado. No entanto, junto com as facilidades, surgem questionamentos sobre seus impactos no processo de aprendizagem.
Para entender melhor essa realidade, a revista Consa em Pauta entrevistou os professores Raphael Malagoli, de Física, e Alex Almeida, de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, que compartilharam suas percepções sobre o uso dessa tecnologia na educação.
Segundo os docentes, a principal questão não está na existência do recurso, mas na forma como ele é utilizado. Para Raphael Malagoli, a inteligência artificial já faz parte da realidade educacional e seu impacto depende do uso que o estudante faz da ferramenta. Quando utilizada para personalizar os estudos e auxiliar na compreensão de conteúdos, a ferramenta pode contribuir significativamente para a aprendizagem.

Alex Almeida concorda que a IA oferece benefícios importantes, especialmente por facilitar o acesso à informação e permitir novas formas de estudo. Segundo ele, os alunos podem utilizar a tecnologia para criar questões sobre textos, estabelecer relações entre conteúdos e aprofundar conhecimentos de maneira mais dinâmica.
As armadilhas do "atalho" tecnológico
Apesar dessas vantagens, ambos os professores alertam para os riscos do uso inadequado.
Um dos problemas mais frequentes é quando o estudante utiliza a inteligência artificial apenas para obter respostas prontas e entregar atividades sem participar do processo de construção do conhecimento.
De acordo com Alex Almeida, muitos alunos utilizam o recurso para “cortar caminho”, produzindo textos rapidamente sem desenvolver habilidades fundamentais, como leitura, escrita, argumentação e organização de ideias. Na mesma linha, Raphael Malagoli destaca que, em alguns casos, o estudante aparenta ter aprendido o conteúdo, mas não consegue explicar ou discutir o tema quando questionado, demonstrando que não houve aprendizado real.

Esse cenário reflete uma mudança profunda na forma como os alunos aprendem. Antes, o estudante precisava pesquisar em livros, interpretar informações e construir seu próprio entendimento. Hoje, ele recebe uma grande quantidade de respostas prontas e precisa desenvolver, no lugar disso, a capacidade de analisar, selecionar e verificar quais informações são confiáveis e relevantes.
O papel da escola e o desafio da originalidade
Diante do cenário atual, os professores defendem que a escola tem um papel fundamental na orientação dos estudantes. Para o professor de Linguagens, é importante ensinar não apenas o funcionamento técnico das IAs, mas também questões relacionadas aos direitos autorais, ao uso ético das informações e à elaboração de perguntas eficientes para obter melhores resultados. Segundo ele, muitos jovens acreditam saber utilizar a tecnologia, mas ainda não dominam suas possibilidades e limitações. Alex relata, por exemplo, experiências em que o uso inadequado do recurso acabou prejudicando a originalidade dos trabalhos.
Em atividades de produção de roteiros e podcasts, diversos alunos fizeram perguntas semelhantes à ferramenta e receberam respostas praticamente iguais, resultando em projetos muito parecidos entre si.
Essa semelhança nos projetos acende um alerta e traz novos desafios para os professores, especialmente na hora de avaliar. Afinal, com tantos trabalhos gerados por IA, a verificação da aprendizagem tornou-se uma responsabilidade puramente humana. Os entrevistados afirmam que, embora a tecnologia ajude no planejamento de suas próprias aulas, o grande desafio agora é criar estratégias em sala que permitam checar se o aluno realmente compreendeu o conteúdo e participou ativamente do processo.
Por outro lado, ambos acreditam que o potencial de personalização do ensino é enorme. Um estudante pode adaptar os estudos às suas dificuldades, solicitar explicações mais detalhadas, praticar exercícios específicos ou explorar conteúdos relacionados aos seus interesses. Dessa forma, a tecnologia pode tornar a aprendizagem mais acessível e significativa.
Diante dessa revolução silenciosa nas salas de aula, fica claro que a inteligência artificial não deve ser vista como uma substituta do aprendizado, mas como uma ferramenta de apoio. Seu uso responsável, aliado ao pensamento crítico e à orientação dos professores, pode contribuir para uma educação mais personalizada e eficiente. O desafio está em garantir que a tecnologia seja utilizada para ampliar o conhecimento e não apenas para substituir o esforço necessário para construí-lo.


