top of page

Escolhi um curso. E agora?

  • Maria Fernanda Silva Melo Vicente
  • 21 de jun.
  • 5 min de leitura

Atualizado: 23 de jun.

O diploma não é a sentença: a graduação pode ser só o começo


Por Maria Fernanda Silva Melo Vicente


Imagem gerada por IA
Imagem gerada por IA

O momento de escolher qual curso fazer na faculdade é desafiador e importante, mas não define seu futuro por completo, é apenas uma porta de entrada para um mundo de possibilidades. A presença de carreiras fora da área de formação universitária tem ganhado relevância à medida que o mercado de trabalho valoriza experiências práticas e a capacidade de adaptar-se a diferentes contextos profissionais, desmistificando a ideia de que o diploma é o único caminho para o sucesso.


Duas trajetórias, uma virada de chave

As histórias de Marco Filho, coordenador do Ensino Médio aqui do CONSA, e de Willian Oliveira, professor de Projeto de Vida, ilustram bem uma importante virada de chave. Ambos se formaram em Geografia pelo interesse na disciplina, mas cada um com expectativas de futuro bem diferentes. 


Quando o acaso vira oportunidade: a trajetória de Marco

Em entrevista exclusiva à revista Consa em Pauta, Marco contou que seu olhar era direcionado ao ambiente educacional desde o início. Perto de se formar, ele ainda pensou em seguir algumas ramificações da Geografia, como estudos de solos, empresas de impacto ambiental e elaboração de EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental / Relatório de Impacto Ambiental)., mas decidiu que queria dar aulas e seguiu pela licenciatura. 


O momento da virada veio quando ele já lecionava há cerca de sete anos. Diante do convite para coordenar o departamento de Ciências Humanas da instituição de ensino em que trabalhava à época, percebeu seu interesse pela área de gestão pedagógica. A partir daí, redirecionou suas pós-graduações para esse ângulo e progrediu no cargo. Sobre essa transição, ele relata:

"Não [imaginava a gestão]. Eu imaginava lecionar, é algo que eu queria. Mas, a princípio, logo que eu iniciei, eu não tinha nenhuma noção de como funcionaria uma coordenação, uma orientação, alguma parte de gestão escolar. Então, era algo bem fora do que eu imaginava."

Com o interesse despertado e o empurrão definitivo do convite, Marco buscou a especialização:

"Se eu estou gostando, eu preciso me aprimorar nisso, estudar sobre isso”, conclui.

Questionado se a graduação ainda ajuda em seu trabalho atual, ele é enfático:

"Eu acho que sempre contribui. Primeiro porque na Geografia eu aprendi muito a entender o diferente. A gente ia muito para ocupações de movimentos estudantis, de movimentos de trabalhadores, via 'brasis' diferentes."

Ele acrescenta que a licenciatura lhe deu um olhar estratégico sobre como conversar com as pessoas, qual didática usar e como conduzir uma reunião. "Dentro da graduação, acho que esse olhar do lidar com o ser humano foi muito forte. E a parte da organização também. Na Geografia, a gente estudava muito sobre a organização do professor. Então, de alguma maneira, isso hoje é extremamente necessário."


E quando o curso perde o sentido? A coragem de se reinventar

Para Willian, o pontapé inicial não foi muito diferente. Em entrevista, ele mencionou:

  “Quando eu escolhi Geografia, nem imaginava que poderia fazer algo diferente. Achei que a sala de aula seria o único trabalho possível para um geógrafo.” 

No entanto, com o passar do curso, foi perdendo o interesse à medida que enfrentava disciplinas mais técnicas. Ainda assim, o docente conta que usa de suas experiências na faculdade no cargo atual: “Muito do professor ideal que eu criei na minha cabeça é resultado das experiências que eu tive na faculdade. Foram os professores da graduação que se tornaram meus bons e maus exemplos do que é uma boa aula.”. 

Hoje, Willian defende que não há escolha errada, apenas escolhas que deixam de fazer sentido:

"O curso é apenas o primeiro passo de um universo de possibilidades. Define tão pouco quanto os sonhos de infância." 

Sobre o medo de errar, ele é direto: "O medo de escolher paralisa mais do que te faz analisar melhor as possibilidades." E completa com uma reflexão valiosa para os estudantes: "Todo mercado é incerto. Deixar de fazer um curso por isso é uma decisão que será um ponto de interrogação eterno na vida dessa pessoa."


"E se eu escolher errado?" A resposta que você precisa ouvir

O mercado de trabalho está repleto de exemplos de profissionais que atuam fora de sua área de formação. Um administrador que virou chef de cozinha, uma psicóloga que trabalha com experiência do usuário em uma empresa de tecnologia, um historiador no marketing digital. São casos reais que mostram como a graduação pode ser um ponto de partida, não uma prisão. 

O que esses profissionais têm em comum? Um conjunto de competências transversais úteis em qualquer área:

  • Comunicação clara e empatia;

  • Resolução de problemas e trabalho em equipe;

  • Organização e planejamento;

  • E, acima de tudo, adaptabilidade e aprendizado contínuo.

Essas habilidades são o que realmente conectam uma graduação em História a um cargo em Gestão de Projetos, por exemplo. É essencial manter a mente aberta para alternativas diferentes da ideia inicial,reconhecendo que a formação universitária serve como uma base sólida para diversas trajetórias.


Dicas práticas para organizar as ideias

Para os estudantes do Ensino Médio que estão vivendo o peso dessa  escolha, algumas atitudes práticas ajudam a organizar as ideias:

  1. Mapeie seus interesses: Olhe para as áreas que você gosta e veja quais cursos se relacionam com elas. Faça testes vocacionais, mas sem levar os resultados como uma verdade absoluta.

  2. Viva a experiência: Procure assistir a aulas abertas dos cursos de seu interesse e converse com profissionais já formados para entender como a carreira funciona na prática.

  3. Explore além da sala de aula: Estágios, projetos, intercâmbios, cursos extracurriculares e trabalhos voluntários abrem portas. Além disso, construa uma rede de relacionamentos simples com professores e profissionais do mercado — esses contatos são fundamentais para a primeira oportunidade.

  4. Preserve o seu emocional: Esteja ciente de que sempre há chance de recomeçar e que a faculdade não é o fim da linha.


O conselho de quem já esteve lá

O que o Marco diria para adolescentes que têm medo de "escolher errado" a faculdade?:

"Entender que a graduação não precisa ser aquela que eu entrei e eu tenho que terminar essa e eu tenho que fazer ela de qualquer maneira. Eu posso, sim, no meio da graduação, entender que talvez meu perfil seja um pouco diferente." 

Ele lembra que os próprios caminhos do trabalho – os estágios, novos cursos e o contato com empresas – vão delineando a rota futura. "Acho que o principal é entender que a graduação não tem um fim nela mesma", pontua. Para ele, profissionais bem-sucedidos têm formação plural: nunca param na graduação, continuam se aprimorando,e buscando pós-graduações ou novas áreas.


Por fim, Marco deixa um alerta importante sobre as expectativas externas:

"Não entender a profissão familiar como uma cobrança. Muitas vezes, meu pai fez Direito, minha mãe fez Direito, já tem um escritório de advocacia e eu sinto que tenho que seguir. Não, a gente tem que fazer aquilo em que a gente tem aptidão, aquilo que a gente realmente gosta. Porque, senão, você vai ser um advogado frustrado, um médico frustrado ou um professor frustrado. Tem que fazer aquilo que te encanta para fazer bem-feito e alcançar seus objetivos."

Entre em Contato

Quer contribuir com a Revista Consa em Pauta? Nos envie aqui feedbacks, dúvidas, textos e sugestões de pautas para próximas edições. Este projeto só terá a sua cara, se puder contar com a sua voz! Participe!

Av. Juriti, 368 - Moema, São Paulo - SP, 04523-010

 

© 2026 by Revista Consa em Pauta. Powered and secured by Wix 

 

bottom of page