Conversas numéricas: despertando a flexibilidade numérica com estudantes do 6º ano
- Debora Ferreira Ricardo
- 23 de mai. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 24 de nov. de 2025
Sem utilizar lápis e papel faça o cálculo mentalmente e responda: quanto é 46 vezes 9?

Como você chegou ao resultado? Desafie alguém que está ao seu lado a fazer o mesmo. Ambos alcançaram a mesma resposta? Quais estratégias vocês utilizaram?
A matemática é uma ciência exata porém, ela também é flexível e criativa. É o que mostram as pesquisadoras americanas Ruth Parker e Cathy Humphreys no livro Conversas Numéricas: estratégias de cálculo mental para uma compreensão profunda da Matemática. Nesta obra elas destacam a importância dessa prática para engajar os estudantes e desenvolver uma Matemática profunda.
As conversas numéricas são atividades de aprendizado curtas, mas poderosas, pois mostram aos estudantes que eles podem ser criativos ao realizar operações básicas, além de desenvolver seu raciocínio lógico e algébrico com os colegas. Sendo assim, essa é uma excelente ferramenta para desenvolver o senso numérico dos estudantes, especialmente aqueles que estão ingressando nos anos finais.
No 6º ano, os estudantes têm a oportunidade de refletir sobre sua compreensão em relação aos números e suas operações e explicar seu raciocínio para os demais colegas. Esse compartilhamento permite que os estudantes percebam que a Matemática é flexível mesmo em um de seus pilares fundamentais: as quatro operações básicas. Além disso, eles discutem a importância dos erros nesse processo e aprendem novas estratégias para realizar cálculos mentais.
As imagens abaixo trazem alguns registros de duas conversas numéricas realizadas com os estudantes do 6º ano no último mês. Veja como podemos pensar diferente!
Figura 1 - Discussão da Conversa Numérica: Qual o valor de 46 vezes 9?

E você, também resolveria como esses estudantes? Ou pensou em outra estratégia? Veja outro exemplo.
Figura 2 - Discussão da Conversa Numérica: Qual o valor de 25 vezes 18?

Durante as discussões, que levam em média 15 minutos e são realizadas duas vezes por semana, todas as respostas são descritas, inclusive os diferentes caminhos para o mesmo resultado e as respostas incorretas. Juntos, professora e estudantes investigam cada uma e com isso, adquirem novas formas de pensar e calcular.
Além disso, percebe-se que após um período de adaptação – em que os estudantes perdem o medo de errar e entendem o erro como parte importante do processo de aprendizagem – as conversas numéricas se tornam atividades que despertam maior engajamento, isto é, os estudantes têm vontade de se posicionar, explicar suas ideias e percebem a disciplina de outra forma.
Jo Boaler, professora da Faculdade de Educação da Universidade Stanford e idealizadora da abordagem Mentalidades Matemáticas, ressalta que o resultado das conversas numéricas não é o mais importante. O mais interessante é investigar o método de cada estudante, pois além de reforçar a aprendizagem, elas desenvolvem o senso numérico, ou seja, a capacidade de interagir e interpretar os números.
E você ficou curioso para fazer uma conversa numérica?
Convide um estudante do 6º ano para essa conversa, você vai aprender uma Matemática criativa, aberta e flexível!
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Licenciada, mestre em Matemática e doutoranda em Educação Matemática pela PUC-SP, Debora Ricardo tem como objetivo tornar o ensino de Matemática mais acessível, é multiplicadora das Mentalidades Matemáticas e professora de Matemática no CONSA. O texto foi uma gentil contribuição para o Itinerário Formativo de Jornalismo e Mídias Digitais — Ensino Médio CONSA — maio de 2025, como parte do projeto da revista Consa em Pauta.
Edição e revisão final: Equipe Consa em Pauta.


