"A hora da estrela"
- Marina Pin
- 22 de jun.
- 2 min de leitura
Por Marina Pin

Durante o nono ano, os estudantes realizam a leitura e a análise de A hora da estrela, obra de 1977 escrita por Clarice Lispector. Considerado um dos maiores clássicos da literatura brasileira, o romance apresenta aos alunos uma narrativa diferente das convencionais, marcada por reflexões sobre a escrita, a linguagem e a realidade social brasileira.
A obra acompanha a trajetória de Macabéa, uma jovem nordestina que vive no Rio de Janeiro em condições de pobreza. Por meio do narrador Rodrigo S.M., Clarice constrói uma narrativa fora do comum na literatura clássica, questionando o próprio ato de escrever e os limites da literatura ao retratar a vida de outras pessoas. De acordo com a própria autora, o livro não possui um gênero literário específico, transitando, assim, entre os gêneros e podendo gerar um estranhamento ao leitor de obras convencionais.
Segundo o professor de Língua Portuguesa, Leandro Antognoli Caleffi, introduzir o livro pela primeira vez no nono ano é um desafio justamente por sua complexidade.
“É uma espécie de livro dentro do livro [...] é um livro que quer incomodar mesmo. A Clarice está fazendo ali uma experimentação bastante radical. Ele fala da impossibilidade da palavra expressar o que ela quer, então é como se a palavra se voltasse contra ela mesma”,explica.
Apesar de a obra apresentar diferentes camadas narrativas, o professor destaca que os estudantes costumam se interessar à medida que compreendem melhor sua construção.
Além do livro, os alunos também têm contato com adaptações da história. O longa homônimo, dirigido por Suzana Amaral, é considerado importante para o universo da obra, pois tornou a história conhecida por um público mais amplo. Embora a adaptação foque principalmente na trajetória de Macabéa, deixando de lado duas outras histórias presentes no romance, ela contribui para despertar o interesse dos leitores e ampliar a compreensão da narrativa.
A relevância de A hora da estrela também se reflete em sua constante presença nos vestibulares. Segundo o professor entrevistado, as questões costumam priorizar os aspectos de linguagem e a estrutura inovadora da narrativa, em vez dos acontecimentos da história em si. Ele afirma:
“Se você pegar as questões que caem no vestibular, é muito mais sobre a linguagem do que as próprias histórias, que é o que o filme não trata”.
Assim, a leitura da obra é fundamental para compreender as reflexões propostas por Clarice Lispector e interpretar os diferentes níveis de construção presentes no romance.
O também professor de Língua Portuguesa, Danilo Batista Silva, afirma que A hora da estrela não se limita a narrar a trajetória de Macabéa; a obra também permite refletir sobre questões sociais mais amplas, como desigualdade, exclusão e pertencimento. Segundo ele, a leitura do livro possibilita aos alunos perceber como a literatura pode ser uma ferramenta de compreensão da realidade histórica e cultural do Brasil, incentivando uma análise crítica sobre a construção da identidade individual e coletiva em meio às diferenças regionais e sociais.
Por meio dessa leitura, os alunos possuem a oportunidade de entrar em contato com um texto desafiador e reflexivo, ampliando seu repertório cultural e desenvolvendo novas formas de interpretar a literatura e a realidade ao seu redor.


