Olha Aí: Uma experiência além dos palcos
- Paola Silva Santos
- 22 de jun.
- 4 min de leitura
Atualizado: 23 de jun.
Por Paola Silva Santos
Criado para destacar os talentos dos estudantes, o Olha Aí consolidou-se como uma das principais atrações culturais do Consa. O festival, que ocorre anualmente, reúne diferentes formas de expressão artística e incentiva os alunos a apresentarem seus trabalhos e habilidades para toda a comunidade escolar. Embora suas categorias sejam definidas a cada edição pela equipe organizadora e de acordo com a quantidade de inscritos, algumas modalidades já se tornaram tradicionais: as apresentações de música e dança, realizadas individualmente ou em grupo, além das artes plásticas, que contemplam produções como desenhos, pinturas ou esculturas. Desde sua criação, o projeto tem como objetivo estimular a criatividade, a colaboração e a participação ativa dos jovens. Os vencedores de cada categoria recebem um troféu e, em determinados anos, também foram premiados com brindes obtidos por meio de patrocínios conquistados pela escola.
A visão de quem avalia: mais que técnica, conexão

Luciano Costa - Jun/2026
Para o jurado e professor de Química Luciano, que participa do festival há mais de uma década, a avaliação dos competidores vai além da técnica: “Eu uso critérios técnicos, como afinação, ritmo e postura de palco, mas também observo como a pessoa interage com o público”. Segundo ele, estimular a plateia e criar uma conexão durante a apresentação faz toda a diferença na análise.
Convidado para integrar o corpo de jurados desde meados de 2013, Luciano destaca a importância de manter a tradição viva. “É bom ter o festival como tradição, como patrimônio cultural, mas dá para fazer algumas alterações”, afirma. Entre as mudanças que sugeriria, ele menciona a possibilidade de retirar a competição: “Eu tiraria a premiação. Seria o show só pela diversão, sem ter primeiro ou segundo lugar”.
Apaixonado por música, o jurado revela que tem preferência por apresentações de rock. “Toda vez que alguém vai cantar um rock, eu gosto mais”, comenta. Ao recordar momentos marcantes do Olha Aí, ele destaca uma performance que permanece em sua memória: “Teve um ano em que um grupo fez um cover do Queen. Nunca vi algo tão perfeito assim”.
Além de avaliar os participantes, Luciano também tem contato com a música fora dos bastidores. Ele toca violão e ukulele e diz se aventurar em outros instrumentos. Apesar disso, garante que não subiria ao palco do Olha Aí: “Sou tímido demais para tocar no palco. Prefiro ficar nos bastidores”.
O papel educativo por trás dos acordes
O professor de Física e guitarrista, Raphael Malagoli participou das últimas edições do Olha Aí, um dos eventos mais tradicionais do colégio. Segundo ele, sua primeira participação aconteceu em 2021, período em que a escola ainda enfrentava os desafios impostos pela pandemia. Desde então, acompanha de perto as apresentações e o desenvolvimento artístico dos alunos.

Ao comentar sobre a convivência com os estudantes durante os ensaios, Raphael afirma que a experiência não difere muito daquela vivida dentro da escola.
“Quando a gente está fora da escola e está ensaiando com os alunos no estúdio, por exemplo, a gente tem sempre em mente que nós somos professores deles, que isso é um evento escolar”, explica.
Para ele, mesmo em ambientes externos, o caráter educativo permanece presente, tornando a interação bastante semelhante à rotina escolar.
O professor Malagoli destaca que o Olha Aí já se tornou um verdadeiro patrimônio cultural da instituição.
“É um evento que faz parte da cultura do colégio”.
Na sua visão, a iniciativa tem um papel importante por reunir diferentes formas de expressão artística, como música, dança e artes visuais, permitindo que os estudantes exponham talentos que nem sempre aparecem em sala de aula.
Além de valorizar as manifestações artísticas, o professor acredita que o evento contribui para o crescimento pessoal dos participantes.
“Muitas vezes a pessoa tem esse talento, mas ela não gosta de expor ou tem vergonha”, comenta.
Por isso, considera o Olha Aí uma oportunidade para que os alunos desenvolvam confiança e vivenciem experiências diferentes das que costumam ter no ambiente escolar. Fora das salas de aula, Raphael também mantém uma forte ligação com a música: guitarrista, ele acompanha com entusiasmo as apresentações e reconhece a importância da arte na formação dos estudantes.
A emoção da estreia no palco
A estudante Carolina Moraes, participante da edição de 2026, em cima do palco, viveu a experiência pela primeira vez e descreveu a mistura de sentimentos que acompanha quem se apresenta diante de toda a escola. Segundo ela, a preparação começou meses antes da apresentação.
“A minha banda já começou a se preparar dois meses antes”.
Mesmo com os ensaios, o nervosismo foi inevitável:
“Quando você está ali do lado do palco, às vezes pensa que esqueceu a letra toda”, relembra.
No entanto, a ansiedade logo dá lugar à empolgação.
“Quando você está lá mesmo no palco, é muito legal. Dá uma euforia muito grande”.
E, embora reconheça o caráter competitivo do Olha Aí, Carol acredita que a verdadeira importância do evento está na oportunidade de participar.
“Não é a questão de ganhar. É mais a questão da experiência”,afirma.
Para ela, cantar e tocar diante de toda a comunidade escolar já representa uma conquista significativa.
“Você participar é uma coisa muito legal já.”
Também apaixonada por música desde a infância, Carol conta que cresceu em um ambiente onde a música sempre esteve presente.
“Desde pequenininha eu sempre gostei muito de cantar”.
Ela também participou de coral durante quatro anos e considera a música uma parte importante de sua vida.
“É um conforto para mim”.
Ao refletir sobre o significado do Olha Aí para a escola, Carol destaca o impacto que o evento tem na união entre os alunos. Um dos momentos que mais a marcou aconteceu logo após sua apresentação, quando uma criança a reconheceu pelos corredores.
“Meu Deus, você tocou no Olha Aí!”, ouviu da estudante.
Para ela, essa interação demonstra como o evento aproxima pessoas de diferentes idades e séries.
“É uma coisa que une a escola toda”, afirma.
A aluna também acredita que o show de talentos incentiva os estudantes a descobrirem e desenvolverem suas habilidades.
“Você encoraja os alunos a mostrarem o que eles são capazes”.
Em sua visão, o Olha Aí não cria rivalidade, mas sim um ambiente em que todos podem compartilhar seus talentos e se divertir juntos.


