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Estrutura escolar danificada reacende debate sobre responsabilidade e preservação do patrimônio comum

  • Rafael Neves de Tassis
  • 24 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura

Danos à estrutura física escolar acendem discussão sobre o uso do espaço comum.


Por Rafael Neves de Tassis


Há 88 anos, o Consa constrói uma trajetória marcada pela formação integral, pela convivência e pelo cuidado com o ambiente escolar. O colégio, fundado em 1937 e transformado ao longo das décadas, não se limita à arquitetura que o sustenta. Seus corredores carregam histórias que atravessaram gerações, e cada parede, sala ou pátio já foi cenário de aprendizado, amizade e desenvolvimento humano. Preservar esse patrimônio significa também preservar o legado que acompanha a instituição desde seus primeiros anos.


No entanto, recentemente, um incidente de danificação estrutural a quebra de uma parede

reacendeu uma discussão essencial sobre preservação, responsabilidade e o significado do

bem-estar material dentro da instituição. Mais do que um caso isolado, o episódio trouxe à tona uma reflexão profunda sobre a relação dos alunos com o espaço que os acolhe diariamente.


Mas como manter esse patrimônio vivo?


Dilson, Segurança Geral - Arquivo pessoal
Dilson, Segurança Geral - Arquivo pessoal

Para Dilson, segurança geral do colégio há 23 anos, essa relação entre espaço e comunidade é fundamental. “O aluno passa algumas horas por dia aqui. A escola é quase uma segunda casa”, afirmou durante a entrevista. Para ele, o cuidado com o patrimônio não é um simples ato de manutenção: é um indicador de pertencimento.



“Quando ele aprende a cuidar daqui, aprende a cuidar de qualquer lugar onde estiver.”

Segundo Dilson, a conscientização dos estudantes evoluiu de maneira perceptível. Ele conta que já testemunhou inúmeras situações ao longo dos anos e reconhece que, apesar dos desafios, o comportamento dos alunos apresenta sinais de maturidade. “A gente nota que os alunos estão melhorando, mas sempre tem alguma coisa para corrigir. O importante é conversar e mostrar que tudo tem um valor”, relata. O episódio da parede quebrada, segundo ele, trouxe uma oportunidade concreta de reforçar esse diálogo. “Uma parede quebrada todo mundo vê. Mas o que a gente quer mesmo é que os alunos enxerguem o que está por trás:

isso aqui é de todos nós.”



Marco Filho, Coordenador do Ensino Médio - Arquivo pessoal
Marco Filho, Coordenador do Ensino Médio - Arquivo pessoal

Em entrevista, o coordenador Marco explicou que a escola trabalha constantemente para

fortalecer a consciência coletiva dos estudantes. "Mais do que corrigir danos, nosso papel é

mostrar que cada parte da escola tem um valor", afirmou.


Para Marco, o patrimônio físico é uma extensão da cultura escolar. Sua preservação garante um ambiente mais confortável e adequado ao desenvolvimento acadêmico. Ambientes bem preservados favorecem a concentração, o bem-estar e a convivência. "É por isso que trabalhamos constantemente com orientações, conversas e ações pedagógicas". Marco também ressaltou que o diálogo é o principal caminho para evitar novos incidentes. Segundo ele, grande parte do trabalho da coordenação consiste em compreender o contexto que levou ao acontecimento, acolher o estudante envolvido e oferecer orientação. A abordagem não é punitiva, mas educativa.

“Quando o aluno entende que o patrimônio é comum, ele passa a agir com mais responsabilidade. Não se trata apenas de regras, mas de formação humana”, explicou. Para o coordenador, o episódio da parede, apesar de negativo, abriu espaço para reafirmar valores essenciais da instituição: respeito, cuidado e corresponsabilidade.

A escola, afinal, não é apenas um lugar. Ela é construída todos os dias pela equipe técnica e

por cada estudante que pisa no pátio, se senta em uma carteira ou caminha pelos corredores.


O bem-estar material é uma responsabilidade compartilhada que traduz, em prática, os valores que orientam o Consa há quase nove décadas. Como disse Dilson, com a tranquilidade de quem já viu o colégio atravessar gerações: “O que a gente quer é que o aluno perceba que isso aqui também é dele. Quando ele entende isso, tudo muda.”


Assim, um ato de impulsividade adolescente transformou-se em oportunidade educativa. O

incidente evidencia que comportamentos repreensíveis podem servir como ponto de partida para fortalecer políticas educativas mais integradas. A instituição segue avaliando medidas pedagógicas e estruturais para evitar recorrências, equilibrando responsabilização e suporte emocional, com o objetivo de promover um ambiente escolar seguro, estável e sensível às demandas dos estudantes.

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